quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Conheça a Pastoral da Criança
domingo, 13 de dezembro de 2009
Menina fotografada no Vietnã conta ao 'Estado' como escapou da morte
O destino da menina que foi a cara de uma guerraMenina fotografada no Vietnã conta ao 'Estado' como escapou da morte
Jamil Chade
Ela se transformou no símbolo da Guerra do Vietnã. A foto da menina queimada, fugindo nua após seu vilarejo ser devastado pelos americanos, correu o mundo. Hoje, Phan Thi Kim Phuc ainda carrega as marcas do bombardeio, mas se esforça para superar o trauma. "Estive no inferno e percebi que, se mantivesse o ódio, nunca sairia dele", disse a vietnamita em entrevista ao Estado durante sua passagem por Genebra, na semana passada.Phan conta que jamais esquecerá o dia 8 de junho de 1972. "Estávamos em casa e, de repente, começamos a ver nossa vila sendo atacada. Corremos para um templo, que depois também foi bombardeado. Decidimos sair correndo. Ao sair, senti meu corpo inteiro queimar, como se estivesse em um forno. Era o napalm, que eu, sinceramente, não tinha ideia do que fosse até aquele momento", disse Phan, que teve 65% de seu corpo queimado.Seu vilarejo, Trang Bang, fica no sul do Vietnã, a cerca de 40 quilômetros de Saigon. A bomba foi lançada por soldados do Vietnã do Sul contra tropas norte-vietnamitas. A operação foi coordenada por militares americanos, ainda que Washington jamais tenha admitido seu envolvimento.MILAGREEm 1972, ela tinha 9 anos. Hoje, aos 45, é casada e mora no Canadá com seus dois filhos. Sua foto, tirada por Huynh Cong Ut, fotógrafo da agência Associated Press, ganhou o Prêmio Pulitzer do ano seguinte e se transformou no símbolo do conflito. Enquanto a foto corria o mundo, sua vida mudava de forma radical. Após o ataque, ela foi levada para um hospital em Saigon pelo próprio fotógrafo. "Só me lembro que jogava água no meu corpo." Quando chegou ao hospital, as enfermeiras disseram que a garota não sobreviveria. "Fiquei 14 meses internada e passei por 17 cirurgias", diz. A última ocorreu na Alemanha Oriental, em 1984. Mas, nem assim, as marcas desapareceram. "Continuo sentindo muita dor a cada movimento." Um ano após o ataque, ela voltou ao vilarejo. "Alguns dias depois, meu pai me trouxe um jornal e me mostrou a foto. Fiquei horrorizada e chorei sem parar por vários dias. Foi naquele momento que comecei a entender o que eu tinha vivido. Além disso, estava muito envergonhada. Não suportava me ver nua em uma foto que o mundo inteiro viu."Phan relata que estava vestida com uma roupa leve no momento do ataque, a qual que foi queimada em alguns segundos. "Se estivesse usando uma roupa mais pesada, que levasse mais tempo para queimar, estaria morta. Muitos morreram exatamente desta forma."Aos 13 anos, ela foi estudar em Saigon. No regime comunista, obteve a autorização, alguns anos mais tarde, para estudar medicina em Cuba, onde conheceu seu marido. Na viagem de lua-de-mel, o avião fez uma escala no Canadá, de onde o casal nunca mais saiu.Phan tentou viver no anonimato, mas foi descoberta nos anos 90. "Um dia, estava andando na rua em Toronto e alguém me disse que sabia quem eu era. Foi aí que eu entendi que não poderia mudar o passado, mas que poderia alterar o significado do que ocorreu." A vietnamita passou a atuar como ativista de direitos humanos, tornou-se embaixadora da Unesco e criou uma fundação. Até hoje, Phan se lembra com ironia dos comentários do então presidente americano Richard Nixon, que duvidava da autenticidade da foto.
O Estado de S. Paulo de 13 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Crianças faturam até R$ 2 mil em 245 faróis, esquinas e feiras de SP

Crianças faturam até R$ 2 mil em 245 faróis, esquinas e feiras de SP
Com a chegada das festas de fim de ano, rendimento de mendicância infantil salta de R$ 40 para R$ 70 por dia
Fernanda Aranda
A cidade de São Paulo tem pelo menos 245 pontos - entre cruzamentos, semáforos e feiras livres - em que há concentração de mendicância infantil. Nesses locais, meninos na maioria com idade entre 8 e 11 anos conseguem fazer a esmola render até R$ 2 mil por mês. O mapeamento foi feito por equipes de agentes sociais ligadas à Prefeitura. Os técnicos afirmam que essas mesmas áreas tendem a ficar mais disputadas pelas crianças com a proximidade das festas de fim de ano. Garotos e garotas sabem que a solidariedade aflorada reverte-se em mais dinheiro quando pedem esmola nas janelas dos carros ou quando apresentam malabares.
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O raio X da mendicância urbana de crianças e adolescentes foi coordenado pelo pedagogo Itamar Moreira, com o auxílio do Instituto Social Santa Lúcia e do grupo Presença Social nas Ruas, entidades conveniadas à Secretaria Municipal de Assistência Social, responsáveis por projetos de combate à mão de obra infantil. Moreira contou os casos e regiões de incidência durante todo ano passado e publicou o livro com os resultados em outubro deste ano. Dos 245 pontos revelados, 25,7% estão em Pinheiros, zona oeste; 17,1% em Santo Amaro, zona sul, e 15,1% em Santana, zona norte. Lapa, Vila Mariana, Mooca, Jabaquara, Saúde, Moema e centro são as outras regiões de maior concentração dessas crianças."Perto do fim de ano, o trabalho de tentar resgatar os meninos fica ainda mais complicado, porque eles ganham muito mais dinheiro nesta época", afirma Moreira. Jonathan, de 13 anos - um dos meninos atendidos pela entidade -, confirma o adicional no rendimento. Ele costuma ganhar R$ 40 por dia. Mas, entre novembro e dezembro, em abordagens de só "dois ou três carros" que passam pela Avenida Brasil (onde faz malabares), "dá para levar uns R$ 70 "contos"".Não é o aumento da renda o único desafio do trabalho de resgate dos meninos das vias públicas, diz Moreira. "Outro complicador é que a população no geral tem resistência em enxergar esses meninos como vítimas de exploração de trabalho. Se, em vez do malabares eles estivessem com uma enxada nas mãos, a associação seria imediata. Mas como as crianças nos faróis já fazem parte do cenário dos cruzamentos, parece que ficam invisíveis." Gabriella Bighetti, gerente de Projetos da Fundação Telefônica - que por meio do projeto Pró Menino trabalha a questão da mão de obra infantil nas metrópoles - cita outros perigos a que crianças "invisíveis" estão expostas. "Aliciamento criminoso, exposição ao uso de drogas e abuso sexual", completa. Outras vulnerabilidades são a exposição ao sol sem proteção e desidratação.Anderson, de 16 anos, mostra sua cicatriz na perna direita como exemplo de um outro perigo dos faróis. "Foi um jipe que me pegou. Fiquei internado dois meses na Santa Casa", conta, ao citar que muitos dos seus amigos "já foram atropelados".
O Estado de S. Paulo de 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Mães da Sé reforçam busca por desaparecidos
São Paulo - A Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) - conhecida como Mães da Sé - lança hoje (29), às 10h, a Revista Nossa Ação Social. O objetivo é alertar a população sobre o desaparecimento de pessoas no país e reforçar a mobilização da sociedade no combate a essa questão, que atinge milhares de famílias.
Segundo dados da associação, a cada ano são registrados 200 mil novos casos no país - cerca de 70% dos casos são de crianças e adolescentes e aproximadamente 15% das pessoas que desaparecem no Brasil nunca mais retornam às suas casas.
Da Agência Brasil
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Grito dos Excluídos em São Paulo leva às ruas protesto contra a situação do país
São Paulo - O Grito dos Excluídos, marcha paralela ao desfile da Independência do Brasil, serviu para mostrar que existem pessoas inconformadas com atual situação do país, afirmou a coordenadora da romaria a pé, Célia Leme.A caminhada foi iniciada ontem (6), na Paróquia de Perus, e percorreu diversos pontos da capital paulista, até a missa realizada na manhã de hoje (7), na Catedral da Sé. Após o culto, os manifestantes caminharam até o Monumento do Ipiranga.
Segundo Célia Leme, o movimento é importante para “fazer ecoar que, apesar da aparente normalidade, tem gente que não está satisfeita com essa situação”.
Ela se refere tanto a problemas como a fome e a violência como aos recentes escândalos no Senado Federal. “A questão da crise no Senado está pegando muito forte. Mexeu forte com a população e com a sociedade organizada”, disse Célia.
Ela estimou que cerca de 2 mil pessoas participaram do protesto de hoje. O Grito dos Excluídos é organizado há 15 anos por várias pastorais sociais da Igreja Católica, organizações e movimentos sociais. Neste ano, o lema da manifestação foi: “Vida em Primeiro Lugar: a Força da Transformação Está na Organização Popular”.
Agência Brasil
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O amor e a dor do senador
Dia desses, quando lhe perguntaram por que não deixava o Partido dos Trabalhadores logo de uma vez, seguindo o exemplo de Marina Silva, o senador Eduardo Suplicy (SP) saiu-se com uma tirada pouco ortodoxa, bem ao seu estilo. "Se você está em uma família e uma pessoa da sua família cometeu algum procedimento inadequado, você sai da família?", ele indagou, para responder em seguida: "Normalmente, não saio da minha família. Batalho para corrigir o que aconteceu."A analogia é imprópria, em todos os sentidos. Partidos políticos se estruturam em torno de programas que sintetizam ideias, projetos e metas comuns. Quando descumprem ou traem seus propósitos declarados, um filiado tem, sim, razões objetivas para romper. Partidos são associações racionais entre indivíduos livres e seus vínculos internos são de natureza política, não familiar. Seus militantes, quando dignos, são leais a ideias, não a pessoas.Já as famílias se definem por laços de sangue, remontam a gerações passadas e se estenderão aos que ainda não nasceram. Queiram ou não, seus membros pertencem às teias de parentesco que os precedem, não importa o que possa acontecer. Assim, a instituição familiar costuma suscitar no seu seio o sentimento de lealdade pessoal. Os vínculos de lealdade podem-se estender para além dos laços sanguíneos, em aglutinações expandidas. Esse tipo de lealdade pode degenerar em formações perversas, é claro. Basta ver, por exemplo, o caso da Máfia, que se designa, não por acaso, como famiglia: lealdade até a morte. Mas a Máfia aparece aqui apenas como uma deformidade excepcional que confirma a regra: no mais das vezes, as famílias se tecem por elos de proteção recíproca, de amparo e de amor.Feita a devida separação sistemática entre o que é família e o que é partido, admitamos: o senador expressou uma verdade, a sua verdade interior; o que ele declarou é que a ligação que mantém com o PT é, mais que política, amorosa. A partir daí, a sensação que fica é a de que, quando os postulados políticos se esboroam, quando deles nada mais resta que explique a identificação partidária, sobra, enfim, o amor, como aquele que pulsa nas famílias, mesmo quando a razão enlouquece. O senador Eduardo Suplicy parece hoje um mártir do amor que o prende ao PT.Na terça-feira, quando subiu à tribuna do Senado para pedir, ainda uma vez, a renúncia do presidente da Casa, José Sarney, foi isso, de novo, que transpareceu. "Para voltarmos à normalidade do funcionamento desta Casa, o melhor caminho é que o sr. Sarney renuncie à presidência do Senado", proclamou. Com outra de suas tiradas heterodoxas, brandiu para o plenário uma versão agigantada de cartão vermelho, desses que nos jogos de futebol são empregados pelo árbitro para expulsar um jogador de campo.O gesto desportivo-teatral foi deveras apelativo e, como de hábito, os críticos dirão que o senador petista só faz "jogar para a torcida". Uns farão piada, outros alegarão que essa fatura, a do afastamento de Sarney, já tinha sido liquidada quando o Conselho de Ética decidiu arquivar as denúncias contra ele e que Suplicy discursou com o único objetivo de preservar a própria imagem. Foi, aliás, nessa linha que Heráclito Fortes (DEM-PI) o aparteou com solene ironia. Sustentando que o presidente Lula invadiu o campo do Senado para articular a defesa de Sarney, Fortes perguntou ao orador se ele seria capaz de mostrar o mesmo cartão vermelho para o chefe de Estado. De quebra, disse que faltava sinceridade ao petista.Ao ver questionada a sua boa-fé, Eduardo Suplicy não soube esconder a perturbação. Alterou-se. Retrucou e foi retrucado. Estapeou a tribuna em que repousavam as folhas de seu discurso. A voz apertou-lhe na garganta. Seus lábios se retorceram. Ele inspirava insistentemente pelo nariz, como que para aplacar um soluço que não veio. Em sua fisionomia se estampou a mais perfeita expressão de dor. Ele admitiu que mostraria seu hipertrofiado cartão vermelho a quem quer fosse, mas a dor continuou ali.Continuou ali, mas talvez não tenha sido entendida. Os que acreditam que tudo na política se resolve na interlocução decorativa, na base do "Vossa Excelência" pra lá, "Vossa Excelência" pra cá, que aprenderam a conviver olimpicamente com os arroubos de ódio dos insultos que de vez em quando desferem uns contra os outros, entendem muito bem a raiva, entendem a vingança, o ressentimento, o ciúme e a vaidade ferida, mas jamais entenderão aquela dor. Ela não brota das trincas de uma coerência perdida, ela não se constrói na oratória, mas nasce do coração - esse termo tão desgastado pela demagogia e que, no entanto, dá nome a uma região da gente que existe de verdade. Para senti-la são necessárias décadas de sonhos sonhados de corpo inteiro, que de repente se despedaçam nas garras dos semelhantes. Para conhecê-la é preciso um pouco de fragilidade, mesmo que escondida por trás da imponência artificial do homem público. Para compreendê-la há que saber o que é a vergonha.Não, não faltou sinceridade às palavras de Eduardo Suplicy, por mais que o cálculo performático faça parte - embora paradoxal - de suas manifestações de ritmos verbais alongados, pesados. Mais do que muitos de seus pares, ele tem o senso da oportunidade, dialoga bem com a linguagem das manchetes e sabe atrair os holofotes com mais eficiência que campanhas publicitárias industrializadas - mas não mentiu. Que nada mais houvesse de sincero em sua fala, a sua dor é sincera. Ela é a luz apagada de um amor desencantado, desmembrado... partido.Com sua dor sincera, o senador Suplicy ofereceu, aos que viram a TV Senado, o vislumbre de uma face humana, enfim humana, em meio a um teatro desfigurado de máscaras desumanas. Eugênio Bucci, jornalista, é professor da ECA-USPquinta-feira, 20 de agosto de 2009
Manifestação lembra massacre de moradores de rua em São
São Paulo - Um protesto na Praça da Sé lembrou hoje (19) o massacre de sete moradores de rua ocorrido há cinco anos no centro de São Paulo. Os manifestantes denunciaram o descaso das autoridades em relação à chacina e cobraram providências para punir os responsáveis pelo assassinato do grupo formado por catadores de lixo.Entre as pessoas mortas, estava uma catadora de lixo conhecida apenas por Maria. "Ela não fazia mal a uma mosca e não mexia com drogas. Era uma trabalhadora que só estava nessa situação por falta de opção. Nem ela nem os demais mereciam ter morrido daquela maneira", disse a moradora de rua Helena Coelho Andrade de Oliveira, cobrando justiça no caso.
O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes, pediu mudanças na forma como o Poder Público se relaciona com esse segmento da sociedade. "Temos que transformar nossa dor em políticas públicas. Temos direito à moradia, saúde e educação".
Durante o protesto, os manifestantes exibiram faixas com os nomes das vítimas - Givanildo Amaro da Silva, Benedito de Souza, Antonio Odilon dos Santos, Cosme Rodrigues Machado, Maria e outras duas pessoas não identificadas. "Não podemos esquecê-los", completou Lopes.
Para o padre Aécio Cordeiro da Silva, a falta de interesse sobre o caso traz muitas incertezas para o país. Por isso, acrescentou, era importante lembrar os cinco anos do massacre.. "Se ficarmos indiferentes, o que será do Brasil? Temos que fazer alguma coisa. Achar os culpados e puni-los".
A freira e advogada Michael Mary Nolan está acompanhando o caso na Justiça. "O inquérito está no Superior Tribunal de Justiça esperando que ele aceite a denúncia [contra os acusados] do Ministério Público Estadual de São Paulo.
Fonte: Agência Brasil
