domingo, 13 de dezembro de 2009

Menina fotografada no Vietnã conta ao 'Estado' como escapou da morte

O destino da menina que foi a cara de uma guerra
Menina fotografada no Vietnã conta ao 'Estado' como escapou da morte
Jamil Chade

Ela se transformou no símbolo da Guerra do Vietnã. A foto da menina queimada, fugindo nua após seu vilarejo ser devastado pelos americanos, correu o mundo. Hoje, Phan Thi Kim Phuc ainda carrega as marcas do bombardeio, mas se esforça para superar o trauma. "Estive no inferno e percebi que, se mantivesse o ódio, nunca sairia dele", disse a vietnamita em entrevista ao Estado durante sua passagem por Genebra, na semana passada.Phan conta que jamais esquecerá o dia 8 de junho de 1972. "Estávamos em casa e, de repente, começamos a ver nossa vila sendo atacada. Corremos para um templo, que depois também foi bombardeado. Decidimos sair correndo. Ao sair, senti meu corpo inteiro queimar, como se estivesse em um forno. Era o napalm, que eu, sinceramente, não tinha ideia do que fosse até aquele momento", disse Phan, que teve 65% de seu corpo queimado.Seu vilarejo, Trang Bang, fica no sul do Vietnã, a cerca de 40 quilômetros de Saigon. A bomba foi lançada por soldados do Vietnã do Sul contra tropas norte-vietnamitas. A operação foi coordenada por militares americanos, ainda que Washington jamais tenha admitido seu envolvimento.MILAGREEm 1972, ela tinha 9 anos. Hoje, aos 45, é casada e mora no Canadá com seus dois filhos. Sua foto, tirada por Huynh Cong Ut, fotógrafo da agência Associated Press, ganhou o Prêmio Pulitzer do ano seguinte e se transformou no símbolo do conflito. Enquanto a foto corria o mundo, sua vida mudava de forma radical. Após o ataque, ela foi levada para um hospital em Saigon pelo próprio fotógrafo. "Só me lembro que jogava água no meu corpo." Quando chegou ao hospital, as enfermeiras disseram que a garota não sobreviveria. "Fiquei 14 meses internada e passei por 17 cirurgias", diz. A última ocorreu na Alemanha Oriental, em 1984. Mas, nem assim, as marcas desapareceram. "Continuo sentindo muita dor a cada movimento." Um ano após o ataque, ela voltou ao vilarejo. "Alguns dias depois, meu pai me trouxe um jornal e me mostrou a foto. Fiquei horrorizada e chorei sem parar por vários dias. Foi naquele momento que comecei a entender o que eu tinha vivido. Além disso, estava muito envergonhada. Não suportava me ver nua em uma foto que o mundo inteiro viu."Phan relata que estava vestida com uma roupa leve no momento do ataque, a qual que foi queimada em alguns segundos. "Se estivesse usando uma roupa mais pesada, que levasse mais tempo para queimar, estaria morta. Muitos morreram exatamente desta forma."Aos 13 anos, ela foi estudar em Saigon. No regime comunista, obteve a autorização, alguns anos mais tarde, para estudar medicina em Cuba, onde conheceu seu marido. Na viagem de lua-de-mel, o avião fez uma escala no Canadá, de onde o casal nunca mais saiu.Phan tentou viver no anonimato, mas foi descoberta nos anos 90. "Um dia, estava andando na rua em Toronto e alguém me disse que sabia quem eu era. Foi aí que eu entendi que não poderia mudar o passado, mas que poderia alterar o significado do que ocorreu." A vietnamita passou a atuar como ativista de direitos humanos, tornou-se embaixadora da Unesco e criou uma fundação. Até hoje, Phan se lembra com ironia dos comentários do então presidente americano Richard Nixon, que duvidava da autenticidade da foto.

O Estado de S. Paulo de 13 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crianças faturam até R$ 2 mil em 245 faróis, esquinas e feiras de SP


Crianças faturam até R$ 2 mil em 245 faróis, esquinas e feiras de SP
Com a chegada das festas de fim de ano, rendimento de mendicância infantil salta de R$ 40 para R$ 70 por dia
Fernanda Aranda


A cidade de São Paulo tem pelo menos 245 pontos - entre cruzamentos, semáforos e feiras livres - em que há concentração de mendicância infantil. Nesses locais, meninos na maioria com idade entre 8 e 11 anos conseguem fazer a esmola render até R$ 2 mil por mês. O mapeamento foi feito por equipes de agentes sociais ligadas à Prefeitura. Os técnicos afirmam que essas mesmas áreas tendem a ficar mais disputadas pelas crianças com a proximidade das festas de fim de ano. Garotos e garotas sabem que a solidariedade aflorada reverte-se em mais dinheiro quando pedem esmola nas janelas dos carros ou quando apresentam malabares.


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74% dos pedintes frequentam escola

O raio X da mendicância urbana de crianças e adolescentes foi coordenado pelo pedagogo Itamar Moreira, com o auxílio do Instituto Social Santa Lúcia e do grupo Presença Social nas Ruas, entidades conveniadas à Secretaria Municipal de Assistência Social, responsáveis por projetos de combate à mão de obra infantil. Moreira contou os casos e regiões de incidência durante todo ano passado e publicou o livro com os resultados em outubro deste ano. Dos 245 pontos revelados, 25,7% estão em Pinheiros, zona oeste; 17,1% em Santo Amaro, zona sul, e 15,1% em Santana, zona norte. Lapa, Vila Mariana, Mooca, Jabaquara, Saúde, Moema e centro são as outras regiões de maior concentração dessas crianças."Perto do fim de ano, o trabalho de tentar resgatar os meninos fica ainda mais complicado, porque eles ganham muito mais dinheiro nesta época", afirma Moreira. Jonathan, de 13 anos - um dos meninos atendidos pela entidade -, confirma o adicional no rendimento. Ele costuma ganhar R$ 40 por dia. Mas, entre novembro e dezembro, em abordagens de só "dois ou três carros" que passam pela Avenida Brasil (onde faz malabares), "dá para levar uns R$ 70 "contos"".Não é o aumento da renda o único desafio do trabalho de resgate dos meninos das vias públicas, diz Moreira. "Outro complicador é que a população no geral tem resistência em enxergar esses meninos como vítimas de exploração de trabalho. Se, em vez do malabares eles estivessem com uma enxada nas mãos, a associação seria imediata. Mas como as crianças nos faróis já fazem parte do cenário dos cruzamentos, parece que ficam invisíveis." Gabriella Bighetti, gerente de Projetos da Fundação Telefônica - que por meio do projeto Pró Menino trabalha a questão da mão de obra infantil nas metrópoles - cita outros perigos a que crianças "invisíveis" estão expostas. "Aliciamento criminoso, exposição ao uso de drogas e abuso sexual", completa. Outras vulnerabilidades são a exposição ao sol sem proteção e desidratação.Anderson, de 16 anos, mostra sua cicatriz na perna direita como exemplo de um outro perigo dos faróis. "Foi um jipe que me pegou. Fiquei internado dois meses na Santa Casa", conta, ao citar que muitos dos seus amigos "já foram atropelados".


O Estado de S. Paulo de 3 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mães da Sé reforçam busca por desaparecidos

São Paulo - A Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) - conhecida como Mães da Sé - lança hoje (29), às 10h, a Revista Nossa Ação Social. O objetivo é alertar a população sobre o desaparecimento de pessoas no país e reforçar a mobilização da sociedade no combate a essa questão, que atinge milhares de famílias.
Segundo dados da associação, a cada ano são registrados 200 mil novos casos no país - cerca de 70% dos casos são de crianças e adolescentes e aproximadamente 15% das pessoas que desaparecem no Brasil nunca mais retornam às suas casas.

Da Agência Brasil

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Grito dos Excluídos em São Paulo leva às ruas protesto contra a situação do país

São Paulo - O Grito dos Excluídos, marcha paralela ao desfile da Independência do Brasil, serviu para mostrar que existem pessoas inconformadas com atual situação do país, afirmou a coordenadora da romaria a pé, Célia Leme.
A caminhada foi iniciada ontem (6), na Paróquia de Perus, e percorreu diversos pontos da capital paulista, até a missa realizada na manhã de hoje (7), na Catedral da Sé. Após o culto, os manifestantes caminharam até o Monumento do Ipiranga.
Segundo Célia Leme, o movimento é importante para “fazer ecoar que, apesar da aparente normalidade, tem gente que não está satisfeita com essa situação”.
Ela se refere tanto a problemas como a fome e a violência como aos recentes escândalos no Senado Federal. “A questão da crise no Senado está pegando muito forte. Mexeu forte com a população e com a sociedade organizada”, disse Célia.
Ela estimou que cerca de 2 mil pessoas participaram do protesto de hoje. O Grito dos Excluídos é organizado há 15 anos por várias pastorais sociais da Igreja Católica, organizações e movimentos sociais. Neste ano, o lema da manifestação foi: “Vida em Primeiro Lugar: a Força da Transformação Está na Organização Popular”.

Agência Brasil

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O amor e a dor do senador

Dia desses, quando lhe perguntaram por que não deixava o Partido dos Trabalhadores logo de uma vez, seguindo o exemplo de Marina Silva, o senador Eduardo Suplicy (SP) saiu-se com uma tirada pouco ortodoxa, bem ao seu estilo. "Se você está em uma família e uma pessoa da sua família cometeu algum procedimento inadequado, você sai da família?", ele indagou, para responder em seguida: "Normalmente, não saio da minha família. Batalho para corrigir o que aconteceu."A analogia é imprópria, em todos os sentidos. Partidos políticos se estruturam em torno de programas que sintetizam ideias, projetos e metas comuns. Quando descumprem ou traem seus propósitos declarados, um filiado tem, sim, razões objetivas para romper. Partidos são associações racionais entre indivíduos livres e seus vínculos internos são de natureza política, não familiar. Seus militantes, quando dignos, são leais a ideias, não a pessoas.Já as famílias se definem por laços de sangue, remontam a gerações passadas e se estenderão aos que ainda não nasceram. Queiram ou não, seus membros pertencem às teias de parentesco que os precedem, não importa o que possa acontecer. Assim, a instituição familiar costuma suscitar no seu seio o sentimento de lealdade pessoal. Os vínculos de lealdade podem-se estender para além dos laços sanguíneos, em aglutinações expandidas. Esse tipo de lealdade pode degenerar em formações perversas, é claro. Basta ver, por exemplo, o caso da Máfia, que se designa, não por acaso, como famiglia: lealdade até a morte. Mas a Máfia aparece aqui apenas como uma deformidade excepcional que confirma a regra: no mais das vezes, as famílias se tecem por elos de proteção recíproca, de amparo e de amor.Feita a devida separação sistemática entre o que é família e o que é partido, admitamos: o senador expressou uma verdade, a sua verdade interior; o que ele declarou é que a ligação que mantém com o PT é, mais que política, amorosa. A partir daí, a sensação que fica é a de que, quando os postulados políticos se esboroam, quando deles nada mais resta que explique a identificação partidária, sobra, enfim, o amor, como aquele que pulsa nas famílias, mesmo quando a razão enlouquece. O senador Eduardo Suplicy parece hoje um mártir do amor que o prende ao PT.Na terça-feira, quando subiu à tribuna do Senado para pedir, ainda uma vez, a renúncia do presidente da Casa, José Sarney, foi isso, de novo, que transpareceu. "Para voltarmos à normalidade do funcionamento desta Casa, o melhor caminho é que o sr. Sarney renuncie à presidência do Senado", proclamou. Com outra de suas tiradas heterodoxas, brandiu para o plenário uma versão agigantada de cartão vermelho, desses que nos jogos de futebol são empregados pelo árbitro para expulsar um jogador de campo.O gesto desportivo-teatral foi deveras apelativo e, como de hábito, os críticos dirão que o senador petista só faz "jogar para a torcida". Uns farão piada, outros alegarão que essa fatura, a do afastamento de Sarney, já tinha sido liquidada quando o Conselho de Ética decidiu arquivar as denúncias contra ele e que Suplicy discursou com o único objetivo de preservar a própria imagem. Foi, aliás, nessa linha que Heráclito Fortes (DEM-PI) o aparteou com solene ironia. Sustentando que o presidente Lula invadiu o campo do Senado para articular a defesa de Sarney, Fortes perguntou ao orador se ele seria capaz de mostrar o mesmo cartão vermelho para o chefe de Estado. De quebra, disse que faltava sinceridade ao petista.Ao ver questionada a sua boa-fé, Eduardo Suplicy não soube esconder a perturbação. Alterou-se. Retrucou e foi retrucado. Estapeou a tribuna em que repousavam as folhas de seu discurso. A voz apertou-lhe na garganta. Seus lábios se retorceram. Ele inspirava insistentemente pelo nariz, como que para aplacar um soluço que não veio. Em sua fisionomia se estampou a mais perfeita expressão de dor. Ele admitiu que mostraria seu hipertrofiado cartão vermelho a quem quer fosse, mas a dor continuou ali.Continuou ali, mas talvez não tenha sido entendida. Os que acreditam que tudo na política se resolve na interlocução decorativa, na base do "Vossa Excelência" pra lá, "Vossa Excelência" pra cá, que aprenderam a conviver olimpicamente com os arroubos de ódio dos insultos que de vez em quando desferem uns contra os outros, entendem muito bem a raiva, entendem a vingança, o ressentimento, o ciúme e a vaidade ferida, mas jamais entenderão aquela dor. Ela não brota das trincas de uma coerência perdida, ela não se constrói na oratória, mas nasce do coração - esse termo tão desgastado pela demagogia e que, no entanto, dá nome a uma região da gente que existe de verdade. Para senti-la são necessárias décadas de sonhos sonhados de corpo inteiro, que de repente se despedaçam nas garras dos semelhantes. Para conhecê-la é preciso um pouco de fragilidade, mesmo que escondida por trás da imponência artificial do homem público. Para compreendê-la há que saber o que é a vergonha.Não, não faltou sinceridade às palavras de Eduardo Suplicy, por mais que o cálculo performático faça parte - embora paradoxal - de suas manifestações de ritmos verbais alongados, pesados. Mais do que muitos de seus pares, ele tem o senso da oportunidade, dialoga bem com a linguagem das manchetes e sabe atrair os holofotes com mais eficiência que campanhas publicitárias industrializadas - mas não mentiu. Que nada mais houvesse de sincero em sua fala, a sua dor é sincera. Ela é a luz apagada de um amor desencantado, desmembrado... partido.Com sua dor sincera, o senador Suplicy ofereceu, aos que viram a TV Senado, o vislumbre de uma face humana, enfim humana, em meio a um teatro desfigurado de máscaras desumanas. Eugênio Bucci, jornalista, é professor da ECA-USP
Fonte: O Estado de SP

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Manifestação lembra massacre de moradores de rua em São

São Paulo - Um protesto na Praça da Sé lembrou hoje (19) o massacre de sete moradores de rua ocorrido há cinco anos no centro de São Paulo. Os manifestantes denunciaram o descaso das autoridades em relação à chacina e cobraram providências para punir os responsáveis pelo assassinato do grupo formado por catadores de lixo.
Entre as pessoas mortas, estava uma catadora de lixo conhecida apenas por Maria. "Ela não fazia mal a uma mosca e não mexia com drogas. Era uma trabalhadora que só estava nessa situação por falta de opção. Nem ela nem os demais mereciam ter morrido daquela maneira", disse a moradora de rua Helena Coelho Andrade de Oliveira, cobrando justiça no caso.
O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes, pediu mudanças na forma como o Poder Público se relaciona com esse segmento da sociedade. "Temos que transformar nossa dor em políticas públicas. Temos direito à moradia, saúde e educação".
Durante o protesto, os manifestantes exibiram faixas com os nomes das vítimas - Givanildo Amaro da Silva, Benedito de Souza, Antonio Odilon dos Santos, Cosme Rodrigues Machado, Maria e outras duas pessoas não identificadas. "Não podemos esquecê-los", completou Lopes.
Para o padre Aécio Cordeiro da Silva, a falta de interesse sobre o caso traz muitas incertezas para o país. Por isso, acrescentou, era importante lembrar os cinco anos do massacre.. "Se ficarmos indiferentes, o que será do Brasil? Temos que fazer alguma coisa. Achar os culpados e puni-los".
A freira e advogada Michael Mary Nolan está acompanhando o caso na Justiça. "O inquérito está no Superior Tribunal de Justiça esperando que ele aceite a denúncia [contra os acusados] do Ministério Público Estadual de São Paulo.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Abuso sexual em casa é a violência mais comum contra crianças em município da Baixada

Rio de Janeiro - O abuso sexual dentro do próprio lar, que tem no agressor alguém da família, é o tipo de violência contra a criança e o adolescente mais citado pelas instituições que atendem menores, no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. As ocorrências desse tipo de abuso, chamado de intra-familiar, são maiores que as do abuso sexual extra-familiar, cometido fora do âmbito da família.
O resultado consta de pesquisa realizada pelo Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil no Território Brasileiro (PAIR), divulgada hoje (8), em seminário realizado em Belford Roxo. O PAIR é coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República.
A coordenadora do programa no estado do Rio, Valéria Brahim, explicou que o PAIR tem o objetivo de fazer um diagnóstico da violência infantojuvenil e funciona como um estímulo para o trabalho conjunto dos programas de enfrentamento à violência sexual. “E, principalmente, [conhecer] quais são as instituições que estão trabalhando nesse enfrentamento, para otimizar essas ações”, disse.
Segundo Valéria, que também é gerente de programas sociais da Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH), ainda há pouca informação, no município de Belford Roxo, sobre outros tipos de crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes, entre os quais o turismo sexual, a pornografia infantil e o tráfico para fins de exploração sexual. Ela acredita que o abuso sexual dentro e fora do lar é o mais citado, em parte, devido à falta de identificação de outros casos de exploração sexual. Por isso, Valéria destacou a importância de as pessoas denunciarem esses crimes. “As redes de exploração sexual são muito bem formadas e, muitas vezes, as pessoas têm medo de denunciar. Mas a gente sabe que a denúncia pode ser feita anonimamente pelo Disque 100, que é um número nacional”.
A pesquisa foi realizada pelas equipes do PAIR e da ABTH e aplicada por universitários do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram ouvidas pessoas do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, da comunidade, de movimentos sociais organizados e das áreas de defesa e responsabilidade, atendimento e prevenção.
A maior parte dos entrevistados (87%) são pessoas da área governamental, das três esferas, com o campo de atuação majoritariamente voltado à política de proteção social especial em relação ao público-alvo (73%). Valéria Brahim salientou que cabe ao Estado enfrentar a questão da violência infantojuvenil. “O percentual da sociedade civil vem como um apoio ao que é uma função do Estado”.
A pesquisa constatou, ainda, que a maioria dos registros de violência sexual contra a criança e o adolescente (87%), no município de Belford Roxo, é feita por meio de denúncia anônima. A coordenadora do PAIR no Rio de Janeiro afirmou que a demanda, com a qual os conselhos tutelares se deparam, de atender à criança e protegê-la da violência sexual é tão premente que a sistematização dos registros acaba ficando num plano secundário. “Essa é uma questão que o Estado precisa observar para dar mais infraestrutura de trabalho a esses profissionais”.
Ela lamentou que ainda não haja, no país, uma cultura de direcionar esses dados para pesquisas, porque isso “é importante para a criação de políticas públicas. A gente precisa levantar a demanda para que a política pública seja de fato inaugurada e fomentada em casos que já existam”.

Fonte: Alana Gandra Repórter da Agência Brasil

segunda-feira, 6 de julho de 2009

analfabeto político


“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.” (Bertolt Brecht)

sábado, 4 de julho de 2009

Pega Ladrão!



Pega Ladrão!
Gabriel Pensador
Composição: Gabriel O Pensador/tiago Mocotó/aninha Lima/liminha


"- Vossa Excelência, agora explique, mas não complique!

- Vossa Excelência, eu já expliquei! Eu não vi essa lista.

Eu afirmo com a mais absoluta certeza e sinceridadeQue eu nunca vi essa lista!

Não sei dessa lista, não quero saber e tenho raiva de quem sabe!Quem disser que eu vi essa lista é um mentiroso,

E vai ter que provar! E se provar, vai se ver comigo!

"Pega ladrão! No Governo!

Pega ladrão! No Congresso!

Pega ladrão! No Senado!

Pega lá na Câmara dos Deputados!

Pega ladrão! No Palanque!

Pega ladrão! No Tribunal!

É por causa desses caras

Que tem gente com fome

Que tem gente matando

Etc e tal..

.Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

A miséria só existe porque tem corrupção!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pegaPega, pega ladrão!

Tira do Poder, Bota na prisão!

E você que é um simples mortal

Levando uma vidinha legal

Alguém já te pediu 1 real?

Alguém já te assaltou no sinal?

Você acha que as coisas vão mal?

Ou você tá satisfeito?

Você acha que isso é tudo normal?

Você acha que o país não tem jeito?

Aqui não tem terremoto

Aqui não tem vulcão

Aqui tem tempo bom

Aqui tem muito chão

Aqui tem gente boa

Aqui tem gente honesta

Mas no poder é que tem gente que não presta.

"Eu fui eleito e represento o povo brasileiro.

Confie em mim que eu tomo conta do dinheiro.

"Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pegaPega, pega ladrão!

A miséria só existe porque tem corrupção!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

Tira do Poder, Bota na prisão!

Tira esse malando do poder executivo!

Tira esse malandro do poder judiciário!

Tira esse malandro do poder legislativo!

Tira do poder que eu já cansei de ser otário!

Tira esse malandro do poder municipal!

Tira esse malandro do governo estadual!

Tira esse malandro do governo federal!

Tira a grana deles e aumenta o meu salário!"

- Tá vendo essa mansão sensacional?

Comprei com o dinheiro desviado do hospital.

- Ah! E o meu cofre cheio de dólar?

É o dinheiro que seria pra fazer mais uma escola.

- Precisa ver minha fazenda! Comprei só com o dinheiro da merenda!

- E o meu filhão? Um milhão só de mesada!

E tudo com o dinheiro das crianças abandonadas.

- E a minha esposa não me leva à falência

Porque eu tapo esse buraco com o rombo da Previdência.

- Vossa excelência, cê não viu meu avião?

Comprei com uma verba que era pra construir prisão!

- E a superlotação?- Problema do povão! Não temos imunidade? Pra nós não pega não.

"Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

A miséria só existe porque tem corrupção!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

Tira do Poder, Bota na prisão!

A miséria só existe porque tem corrupção

Desemprego só aumenta porque tem corrupção

Violência só explode porque tem tanta miséria e desemprego

Porque tem tanta corrupção!

"Todos que me conhecem sabem muito bem que eu não admito

O enriquecimento do pobre e o empobrecimento do rico.

"E você, que nasceu nesse país

E que sonha e que sua pra ser feliz

Você presta atenção no que o candidato diz?

Ou cê vota em qualquer um, seu babaca?

E depois da eleição você cobra resultado?

Ou fica ai parado de braço cruzado?

Cê lembra em quem votou pra deputado?

E quem você botou lá no Senado?

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

A miséria só existe porque tem corrupção!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega!

Pega, pega ladrão!

Pega, pega

Pega, pega ladrão!

Tira do Poder, Bota na prisão!

"- Como vocês suspeitavam, eu realmente vi essa lista.

Eu vi, mas não li. E digo mais, eu engoli.

Pra que ninguém lesse também. E foi com a melhor das intenções.

Burlei a Lei, mas com toda honestidade!

- Vossa Excelência engoliu a lista?

- Bem, eu a coloquei para dentro do meu organismo,Num lugar seguro e escuro. De modo que pra todos os efeitos;

Sendo assim desta maneira, eu me reservo ao direito

De não dizer nada mais. Tá tudo publicado nos anais.

- Mas ontem o senhor falou que não viu a lista.

Hoje o senhor fala que viu a lista. E amanhã o senhor...

- Ah! Amanhã ninguém lembra mais!

E o caso da lista vai entrar prá lista dos casos;

Os casos que ficaram pra trás..."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fale com o presidente Lula

Fale com o presidente Lula

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https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php

Ética na Política


Deflagrada a Campanha pela Ética na Política
OAB-SP lança Manifesto pela Valorização do Voto e pela Ética na Política e obtém dos candidatos compromisso público de realizar campanhas eleitorais transparentes e com lisura de atitudes
Com a presença de Marta Suplicy, Luíza Erundina, Paulo Maluf, Michel Temer, Francisco Rossi, Paulo Pereira da Silva, Arnaldo Jardim, Arnaldo Faria de Sá e Zulaiê Cobra, representando José Serra, a OAB-SP lançou, em 21 de junho, a Campanha pela Ética na Política.
Foi grande o número de pessoas – entre elas advogados, políticos, estudantes e sindicalistas – que compareceram à sede da entidade para participar do evento e assinar o manifesto (leia na página ao lado), que se encontra na presidência da entidade à disposição dos que quiserem engrossar as fileiras do movimento. O documento circula também por todo o interior do Estado de São Paulo, onde a campanha está sendo lançada também nas subsecções da Ordem.
A iniciativa da OAB-SP conta com o apoio da CNBB – no ato representada por D. Airton José dos Santos –, da Associação Juízes para a Democracia, da Comissão Nacional de Justiça e Paz, do Movimento Voto Consciente, do Instituto Ethos, Sindicato dos Jornalistas, Ministério Público Democrático e outras entidades representativas da sociedade civil.
Presentes também à solenidade o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador Álvaro Lazzarini; o presidente do Tribunal de Alçada Criminal (TACrim), José Renato Nalini; o presidente do 1º Tribunal de Alçada Civil 1º TAC), Maurício Ferreira Leite; e o conselheiro vitalício Rubens Approbato Machado.
Ao abrir os trabalhos, o presidente da Seccional Paulista, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que a falta de ética nas administrações públicas traz conseqüências trágicas para a sociedade, pois "alimenta a falta de emprego, de escola, de saúde, de moradia e de educação".
Everson Tobaruela, presidente da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB-SP, destacou que só o comportamento ético evitará o abandono social, e que a Ordem cumpre seu papel ao conscientizar a população sobre a importância do voto.
Approbato Machado, em seu pronunciamento, disse que a campanha expressa o binômio indissolúvel entre advocacia e cidadania. E acrescentou que "toda a campanha eleitoral depura, esclarece e amplia o controle do cidadão, que passa a ser ator, partícipe, e não apenas mero espectador da cena política".
MANIFESTO PELA VALORIZAÇÃO DO VOTO E PELA ÉTICA NA POLÍTICA
O Brasil terá este ano uma das maiores campanhas eleitorais de sua história. Cerca de 116 milhões de brasileiros serão convocados para eleger um contingente aproximado de 5.560 prefeitos e 56 mil vereadores, que formam as bases do sistema político nacional.
Trata-se da maior mobilização cívica da Nação.
As unidades federativas terão a imensa responsabilidade de liderar esse processo, no qual estarão envolvidos os contingentes sediados em todas as classes, os núcleos de organização social e de formação de opinião e as redes de articulação institucional do país.
Atenta aos compromissos impostos pelo Estatuto da Advocacia e pelo ideário que tem inspirado sua missão, desde sua criação, a Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, em sintonia com o clamor da sociedade brasileira pela mudança nos padrões políticos e tendo como motivação a melhoria da qualidade da representação social, se imbui da responsabilidade de promover um Movimento Nacional de Conscientização pela Valorização do Voto e pela Ética na Política.
Ao instalar este Movimento, levando-o para todas as unidades da Federação, por meio de suas Seccionais e Subsecções, a OAB-SP pretende esclarecer e orientar a população eleitoral para exigir de candidatos majoritários e proporcionais comportamentos éticos na condução de suas campanhas e nos processos de cooptação eleitoral.
O ideário que inspira o Movimento Nacional de Conscientização Social pela Valorização do Voto e pela Ética na Política tem o foco voltado para a moralização de comportamentos, atos e práticas de candidatos e campanhas.
Há de se exigir plataformas eleitorais que venham atender às verdadeiras e legítimas aspirações dos grupamentos sociais. E que possam efetivamente ser implantadas, com apresentação de sólida argumentação para sua viabilidade.
Há de se atentar para a "espetacularização" das campanhas, fenômeno que se observa por meio de recursos técnicos fantasiosos, discursos mirabolantes, efeitos emotivos e ações de impacto com o objetivo de enganar o eleitorado.
Há de se buscar a plena transparência das campanhas, com a exposição aberta de receitas, despesas e recursos, obrigando-se o candidato ao cumprimento da legislação eleitoral.
A lisura de comportamentos e atitudes implica, ainda, o respeito mútuo entre adversários, o compromisso com a verdade, evitando-se acusações irresponsáveis, frívolas e desrespeitosas à honra e à dignidade dos participantes políticos.
A denúncia e a comprovação de práticas ilícitas e corruptas de candidatos e/ou detentores de mandato nos Poderes Executivo e Legislativo, feitas pelos órgãos competentes da sociedade organizada, devem obrigá-los ao ato de renúncia à candidatura e/ou ao mandato, razão pela qual o eleitor deve permanecer atento ao comportamento dos agentes políticos.
Dando vazão ao sentimento da sociedade brasileira pela Valorização do Voto e pela implantação dos valores da Ética na Política, a Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil convida as entidades organizadas da sociedade brasileira, por meio de seus representantes, lideranças e candidatos de todos os partidos políticos e de todas as regiões do País, a firmarem, com sua assinatura, o endosso público ao escopo ético apresentado no presente documento.
São Paulo, 21 de junho de 2004.
Luiz Flávio Borges D’Urso
Presidente da OAB-SP

Até quando?

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. (Martin Luther king)


Enquanto muitos urram e vomitam suas palavras podres sem pedir nossa permissão em ouvir, outros , que poderiam se defender e salvar-se, mostram-se cabisbaixos, imunes, sem palavras....É horrível se sentir assim...

Cansei de ver tantas indiscriminações, diante desta foto que fala muito, que conta histórias e registra o silêncio da alma, trouxe para o meu blog a foto e a frase que estavam postados por Postado por Luciana em 11 novembro 2008 às 22:07 no site abaixo.


http://feirapreta.ning.com/profiles/blogs/o-que-me-preocupa-nao-e-o

quinta-feira, 11 de junho de 2009

CANSEI



Cansei de ver as trevas cobrindo Brasília
Nuves escuras pairando sobre o planalto central
um mar de lama da corrupção invadindo a capital federal; Deus com certeza escondeu sua face para não ver o que lá acontecia
dizem que lá se faz pacto até com o diabo. que tem político que vende sua consciência e também a sua alma, para ser dar bem; cansei de acreditar em políticos que levam vantagens em tudo; cansei de ver bandidos entrando na política para fugir da cadeia, e se beneficiar do Foro privilegiado; cansei de ver Senador da República se dando bem, renunciando ou não, sei lá como,
cansei de ouvir de Lula a célebre frase, “eu não sei de nada”; cansei de ver muita gente passando fome, enquanto a corte se esbanja; cansei de ver pessoas perambulando pelas ruas em busca de emprego; enquanto muitos cargos são criados para contemplar os amigos do Lula; cansei de ver empreendedores e empresários, fechando suas empresas por serem honestos e não suportarem a carga tributária; cansei de ver o poder constituído cedendo ao crime organizado; cansei de ouvir a célebre frase de Rui Barbosa chegará um dia em que o homem terá vergonha de ser honesto.
cansei de ouvir dos meios de comunicação que muito dinheiro foi levado para o paraíso fiscal; cansei de ver famílias morando nas praças, debaixo de pontes e de viadutos, catando lixo para sobreviver;
cansei de sonhar com um país justo e solidário. cansei de acreditar na democracia que não passa de uma utopia; cansei de trabalhar para enriquecer cada mais os maus políticos; cansei de ver tantas injustiças, enquanto a Toga é usada por pessoas despreparadas;
cansei de ver lagrimas e tristezas no rosto de pessoas simples, humildes e trabalhadoras; cansei de presenciar nas ruas o sentimento de derrota de muitos brasileiros; cansei de assistir os espetáculos no grande palco chamado Brasília. cansei de acreditar que todos são iguais perante a Lei;
Cansei de ver Multinacionais invadindo o meu país; Cansei de ver banqueiros enriquecendo da noite para o dia; cansei de ver no meio da multidão, homens desempregados, pobres, doentes, famintos, sendo enganados;
cansei de ver o PÃO E CIRCO, como na antiga Roma; cansei de procurar por um político honesto como outrora o filósofo Diógenes cassou de procurar por um homem honesto nas ruas da Grécia com uma lanterna acesa na mão á luz do sol, talvez se encontra meia dúzia;
cansei de ver o Brasil, a minha Pátria amada ser ultrajada, humilhada e roubada, cansei, cansei, cansei.

Vitor Santos